25 de setembro de 2017

Almoço com Lidia e Armando Floriani em Villa Agnedo

A viagem que realizamos em 2012 teve um momento especial que relembro com as seguintes fotos.

A recepção calorosa

Muitas brincadeiras, uma falava italiano e a outra português, mas não foi necessário interprete, elas se entendem brincado!

Depois do almoço, café, chocolate e grappa.

No Caminho para Trento


Lidia foi muito atenciosa em nos receber, principalmente nas circunstâncias à época, ficamos muito felizes e para sempre seremos gratos por tanto carinho. 

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21 de setembro de 2017

Alídio e Isabela Floriani se reencontram


Em 2008, na Primeira Festa da Família Floriani realizada em Lages/SC, o Sr. Alídio Floriani era a pessoa com o maior idade no evento, e minha filha Isabela, recém nascida, era a Floriani mais jovem. Para celebrar este feito foi realizada a foto a seguir:


Passados 9 anos, é realizada a 3ª Festa da Família Floriani em Jaraguá do Sul/SC, em 23 de julho de 2017. O reencontro de Alídio e Isabela (nos braços da mãe Aline), merecia uma foto:


Na foto a seguir, reunidos com meu pai Nélio Floriani e Lea Amaral (à esquerda), e Cléia Floriani e Carlos Thais (à direita). Graças à Cléia conheci Jordina, depois o Paulo, e assim surgiu a primeira festa em Lages, a segunda, a terceira e, então, esta foto e muitas boas lembranças!


Veja também um pouco da história do Sr Alídio Floriani e o registro de algumas visitas que realizamos em Jaraguá do Sul, na compania de Paulo Floriani:
Nosso Craque Alídio Floriani
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Tirolesi nella Foresta (Tiroler in Urwald)


O filme Tirolesi nella Foresta (Tiroleses na Floresta / Tiroler in Urwald), é um documentário sobre a imigração tirolesa no Brasil, dirigido por Luis Walter (de Bolzano/IT), com a colaboração dos autores do Blog Tiroleses.com.br, Prof. Everton Altmayer. Apresenta as colônias tirolesas em Santa Leopoldina (ES), Nova Trento (SC), Piracicaba (SP) e Treze Tílias (SC).


Sinossi
"Dopo le guerre napoleoniche in Europa regna la povertá, anche in Tirolo. Dal 1858 al 1878 centinaia di familie Tirolesi e Welschtiroler (Tirolesi della parte italiana del Kronland Tirol nell´Impereo Austro-Ungarico oggi Trentino) emigrano in Brasile. Vengono tutti trasferiti nella foresta vergine, senza case, senza niente, i Tirolesi di lingua tedesca nella provincia Espirito Santo dove fondano DORF TIROL e i Welschtiroler, Tirolesi di lingua italiani, nella Provincia Santa Catarina dove fondano NOVA TRENTO. Il Film é sulle tracce della ricerca dell´identitá dei discendenti nella 4. e 5. generazione degli emigrati Tirolesi in Brasile. Il film é prodotto sul set in lingua tedesca e italiana e viene proiettato con sottotitoli".
O documentário está em italiano e alemão, e é legendado, assista ao trailer aqui.

O texto abaixo foi notícia na revista alemã Weltruf, com uma tradução disponível em Tiroleses na Floresta. 

 (Fonte

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Tirolês: meu Tataravo Pietro Floriani não era Italiano!

Eu nunca escutei meu avô dizer que era italiano. E realmente, ele não era, nem meu tataravô Pietro Floriani havia sido italiano.

Quando os Floriani, Rafaeli, Paternolli e Sandri emigraram para o Brasil em 1878, partiram da região conhecida como Sub-Tirol, pertencente a Áustria. A unificação italiana não havia incluído o Tirol meridional, os italianos desistiram de conquistar a região em 1866 depois que Giuseppe Garibaldi foi derrotado pelos sìzzeri na batalha de Bezzeca, e se tornou parte da Itália somente em 1918 após o final da Primeira Guerra Mundial. Por isto não se deve dizer que nossos antepassados eram italianos, nem que fizeram parte de uma imigração italiana, pois eram Tirolezes, Austríacos! 

A cidade de Rovereto, de onde partiram  Floriani para o Sul do Brasil.
Wälschtirol identifica o Tirol onde se fala italiano e ladino (fonte)
Na parte ao norte do Tirol (Nordtirol) se falava principalmente alemão, e no Südtirol se falava oficialmente o italiano, mas isso não fazia dos nossos antepassados italianos. Na Áustria, especialmente durante o período que formou o extenso império Austro-Húngaro, existiam doze línguas oficiais, entre elas o alemão, o italiano, o tcheco, o esloveno, o polonês, o ucraniano e o romeno. E embora o nível de alfabetização em italiano e alemão fosse mais alto no Tirol do que no resto da Itália, os imigrantes que chegaram ao Brasil falavam principalmente dialetos locais, como o ladino dolomítico, falado ainda hoje em Stivor, Villa Agnedo e Rio dos Cedros (veja mais).

Havia uma tensão social muito grande na região, entre aqueles que desejavam fazer parte da Itália e aqueles que desejavam manter a região autônoma, vinculada à Áustria. Mas o que os estudos recentes demonstram é que os imigrantes trentinos falavam dialetos quase perdidos no tempo, trouxeram uma cultura germânica forjada em oito séculos, tinham grande ligação com Viena e Innsbruck, mantinham afeição ao imperador Francisco José de Habsburgo e se diferenciam dos italianos do Vêneto e da Lombardia, ao ponto de diversos conflitos de colonos italianos e tiroleses ocorreram no sul do Brasil, especialmente no início da Primeira Grande Guerra.


Certamente quando chegaram no Brasil, os tiroleses podiam se diferenciar dos habitantes de Santa Catarina e foram incluídos com os demais "colonos italianos", "gringos", "italianos", entre outros adjetivos. Esta italinidade e o sentimento de pertencimento à pátria italiana foi incentivada pelo governo nacionalista Italiano no começo do século XX, e intensificado pelo fascismo na década de 1930, que buscava acabar com as idéias separatistas que os tiroleses mantinham. Embora o governo de Vargas (Estado Novo) tenha reprimido a expressão da cultura italiana e alemã (veja mais aqui), dialetos como o Ladino e Cimbro foram os que mais perderam. As organizações religiosas, beneficentes e profissionais mantiveram processos de identificação mútua e coesão entre os gringos, mas a cultura tiroleza estava à caminho de ser perdida, e na maior parte, os dialetos foram subistituidos pelo Talian do Vêneto, e o italiano e alemão oficiais. Se não bastasse, na década de 1970 houve uma "trentinização" promovida pelos Círculos Trentinos, que encontrou um vácuo de referencias culturais.

Isto porque a região passou a ser chamada de Trentino-Alto Adige em 1948, e desde 1972 por Região Autônoma do Trentino-alto Ádge. Trentino é oficialmente designado como Provinzia Autonoma de Trent (em Ladino), Autonoma Provinz vo Tria (em Cimbrico) e Autonome Provinz va Trea’t (em Fersental) (fonte).

É claro que nossa vinculação atual é com a Província de Trento, na Itália. Mas é fundamental rever o que pensávamos sobre nosso passado. 



Leia mais em:
Porque a Família Floriani emigrou da Itália para o Brasil?


Recomendo a leitura do site tiroleses.com.br:


Referências:

ALTMAYER, Everton. . Aspectos identitários da imigração tirolesa no Brasil (1859 - 1938). Blumenau em Cadernos, v. 56, p. 55-76, (ISSN 0006-5218) do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. 2015. Disponível em: https://tiroleses.com.br/2016/04/24/revista-blumenau-em-cadernos/

Otto, Claricia Catolicidades e italianidades: jogos de poder no Médio Vale do Itajaí-Açu e no Sul de Santa Catarina. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-graduação em História. http://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/102043 2005

Saquet, Marcos Aurelio Os tempos e os territórios da colonização italiana: o desenvolvimento econômico da Colônia Silveira Martins, RS Tese de Doutorado. Presidente Prudente. [2001]. 304 f. www2.fct.unesp.br/pos/geo/dis_teses/01/01_marcos.pdf


Zanini, Maria Catarina C.; Assis, Gláucia de Oliveira; Beneduzi, Luis Fernando. Ítalo-Brasileiros na Itália no século XXI: "retorno" à terra dos antepassados, impasses e expectativas. REMHU, Rev. Interdiscip. Mobil. Hum., Brasília , v. 21, n. 41, p. 139-162, dez. 2013 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1980-85852013000200008&lng=pt&nrm=iso>. 
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Tiroleses no Brasil (Filme)


Morei em Piracicaba/SP enquanto estudei na ESALQ/USP e sempre soube desta comunidade italiana, mas que surpresa, era Tirolesa!

De acordo com Misael Dalbosco: "Nas cidades catarinenses de Nova Trento, Rio dos Cedros, Rodeio e nos bairros Santana e Santa Olímpia, de Piracicaba (SP), a situação era oposta. Ali, os tiroleses eram maioria, e os imigrantes do Reino da Itália, minoria. Em Nova Tr

ento, por exemplo, os tiroleses austríacos constituíam por volta de 75% dos imigrantes de língua italiana. Nessas cidades, foi o elemento tirolês que absorveu os demais, e não é raro encontrar pessoas mais velhas que se recordem de seus avós falando de como haviam vindo da Áustria, do Tirol".

É o que mostra este vídeo é interessantíssimo. Trechos de entrevistas feitas pelo Prof. Dr. Everton Altmayer durante suas pesquisas sobre o dialeto trentino (dialèt tirolés) e identidade na Colônia Tirolesa de Piracicaba, estado de São Paulo. Os estudos serviram de base para sua dissertação de mestrado (DLCV/FFLCH - USP/FAPESP) e tese de doutorado (DLM/FFLCH - USP).

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20 de setembro de 2017

Texto de Convite do Encontro Nacional da Família Floriani, em 2008

Escrevi este artigo em julho de 2008 para divulga a festa. Naquele momento havia percebido a importância do tema para reunir pessoas diferentes em torno de algo comum, a família. Tenho convicção que os motivos de outrora continua bem atuais.

Encontro Nacional da Família Floriani 

Cresci achando que a família Floriani era pequena. E muitos acreditam que a história da família interessa somente aos mais velhos, simples relatos de dificuldades que os Italianos passaram ao chegar em Santa Catarina a partir de 1870. Mas na história da família se revelam conquistas e fracassos, repletas de heróis de verdade, dos quais podemos nos orgulhar, uma trajetória rica em lições e razões para amar. Infelizmente, é fato que muitos não sabem quem foi seu bisnono(a), ou pensam que de Floriani tem apenas o nome.
Isto começou a mudar quando inúmeros descendentes trentinos buscaram a cidadania Italiana, devido a corrida atrás de documentos de ancestrais. A facilidade de comunicação proporcionada pela internet também auxilia este reencontro. Existem 6 comunidades da família no Orkut. A partir daí, foi um pulo para ajudar a fazer uma árvore genealógica. E claro, o que não poderia deixar de acontecer, uma animada festa da família. 
A contribuição de novas tecnologias para união familiar vai além. Iniciamos a árvore genalógica em fevereiro de 2008, e já somos 1500 pessoas inscritas. A árvore está na internet, e desta forma, o trabalho é distribuído e as informações são socializadas. Sendo um espaço de aproximação, de reencontro da família. Mas ainda não é o bastante, e estamos trabalhando em um site próprio da família.
Agora estamos próximos da Primeira Festa da Família Floriani no Brasil. Que será realizada no dia 20 de julho, no CDL em Lages. 
Esperamos o mais importante, materializar o vinculo existente entre diferentes ramos da família. Fortalecê-la significa criar o sentimento de pertencimento a algo maior e mais duradouro. Nós vivemos e a família permanece, e em todos os casos, sempre faremos parte dela. Por isto, não é o resgate do passado, como muitos dizem, é mais do que isto. Pois não estamos salvando um passado perdido, mas reunindo histórias e a partir delas construindo um novo futuro, um futuro comum.
Em tempos em que a violência toma conta dos notíciários, descrédito da política e crise ambiental, a família retoma seu espaço social de amorozidade, respeito e união.
Viva a Família Floriani!
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6 de setembro de 2017

Borgo Valssugana revive Luta de Classes


Palio dela Brenta é uma festa realizada na cidade de Borgo Valssugana, para reviver a disputa entre Farinoti e os Semoloti, mas não é uma briga de famílias ricas, como ocorre em eventos de origem medieval. O Pálio dela Brenta é o único evento que trata da luta entre os ricos e pobres. Os Farinoti eram ricos e viviam ao redor do castelo, por isso comiam boa farinha. Os Semoleti eram explorados na área agrícola e comiam o resíduo da produção e cereais mas baratos (a sêmola), daí o nome dos dois grupos sociais.

Veja mais sobre esta festa na matéria do Jornal O Tretino (de Trese Tílias) ou melhor ainda, no site do evento https://www.paliodelabrenta.it/home, com a última edição realizada em agosto de 2017.


Quadro de Paola Imposinato, 2015 (fonte)


Tive o prazer de conhecer Borgo em 2012 (Veja mais), localizada no Valssugana, muito próxima da cidade de Villa Agnedo de onde partiram meus ancestrais Floriani. Quando se chega de trem na região, o desembarque é na estação de Borgo Valssugana, e dalí pode-se pegar um ônibus para qualquer lugar. Quando conhecemos Borgo da primeira vez, foi no caminho para Fiera di Primiero.


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5 de setembro de 2017

Cidadania italiana não é pra qualquer um

Muitos sonham mas somente alguns conseguem a dupla cidadania. Por vezes, no mesmo processo burocrático encaminhado pelo Circolo Trentino para Roma, algumas pessoas conseguem a cidadania italiana, e outras não. A falta de transparência e impessoalidade na condução dos processos deprecia completamente este sistema, descredibiliza as instituições e colabora para o afastamento dos descendentes trentinos das atividades e entidades que os congregam.



Em 2008, quando dois processos foram iniciados pelos descendentes de Pietro Floriani, realizamos a primeira Festa da Família Floriani. Mais de 300 pessoas foram a Lages superando bastante a expectativa inicial. Quase 10 anos depois, foi realizada a terceira edição da festa, em Jaraguá do Sul/SC, e o público foi semelhante ao presente em Lages.

Certamente que em 2008 havia uma grande empolgação com a busca da cidadania italiana que deixou de existir. Imagino como poderia ter sido o encontro da família se tivéssemos avançado no reconhecimento da cidadania italiana.

As falhas na Itália são tamanhas, que somente um esquema de corrupção desmantelado este ano havia agilizado mais de 500 processos de dupla cidadania por \'jus sanguinis\' (Ver mais), no Brasil, nunca soube de instrumentos públicos de fiscalização deste sistema.

Embora se preveja modificações para o próximo ano, que promete baixar o tempo de espera de 10 para 6 anos (Veja o que mudou aqui), contudo, as inovações não alteram a forma inexplicável como os processos avançam de forma distinta entre membros da mesma família.

Veja mais em:
Descendentes de Pietro Floriani aguardam dupla cidadania
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Importante Floriani na política italiana: Alessandra Mussolini Floriani

A família Floriani tem importante participação na política italiana em virtude do casamento da senadora Alessandra Mussolini com Mauro Floriani. Nascida em Roma, é filha de Romano Mussolini, neta do ditador fascista Benito Mussolini que governou a Itália entre 1922 a 1943 (Veja mais). Mauro Floriani é considerado um gestor empresarial competente, ocupou diversos cargos e possui experiência no ramo de transportes (Veja mais). 

Mauro Floriani e Alessandra Mussolini (Fonte)
Neta do ditador, rompeu com o presidente da Alleanza Nazionale, Gianfranco Fini, que havia se afastado do fascismo e da figura de Mussolini, e fundou seu partido (Azione Sociale - AS) que promoveu uma aliança chamada Alternativa Sociale que unia outros dois movimentos neofascistas e nazionalistas: Forza Nuova e Fronte Sociale Nazionale Tilgher (Referência).

Alessandra Mussolini se beneficiou da Operação Mãos Limpas, que visava combater a corrupção na Itália mas serviu principalmente para prejudicar empresas italianas e perseguir políticos de esquerda (Veja mais), e viu sua carreira política ser alavancada na década de 90 junto com Silvio Berluscone, sendo deputada diversas vezes e depois senadora com posições de extrema-direita.

Neste turbilhão, Mauro Floriani foi condenado por prostituição infantil em 2014 (Veja mais em Alessandra Mussolini, il marito patteggia per prostituzione minorile e Prostitute 15enni ai Parioli Floriani condannato a un anno).


Veja mais sobre o regime fascista e sua influência nos imigrantes italianos no Brasil:

Fascismo Italiano no Brasil




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Fascismo Italiano no Brasil?

No dias de hoje há um movimento político de direita que prega a escola sem partido, conservador e reacionário, objetiva limitar ou proibir a livre reflexão sobre história, filosofia, geografia e cultura em sala de aula. O problema seriam temas como a ditadura e o golpe militar de 1964, liberdade sexual, igualdade de gênero, cotas raciais, direitos humanos... essas "coisas". Infelizmente, já vimos isto antes.

Símbolo do Partito Nazionale Fascista (Fonte).
As salas de aula dos ítalos-brasileiros sempre foram um espaço de disputa ideológica, inclusive com apoio de potências estrangeiras. Principalmente no período das décadas de 1930 e 1940, quando houve ascensão de “...uma onda antidemocrática e pró-ditatorial de movimentos totalitários e semitotalitários [que] varreu a Europa” (Veja mais em Origens do totalitarismo (anti-semitismo, imperialismo e totalitarismo), de Hannah Arendt, São Paulo: Companhia das Letras, 1989), que disputaram a mente é o coração do imigrante e seus descendentes.

O fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler exerceram significativa influencia na vida sócio política brasileira e em especial em Santa Catarina. Pois além da criação de núcleos e partidos nazi-fascistas no Brasil e em Santa Catarina, influenciaram a criação da Ação Integralista Brasileira e na forma de direção da nação durante o período em que Getúlio Vargas esteve no poder (1930 – 1945) (veja mais no artigo: O Nazismo e o Integralismo em Santa Catarina, de João Henrique Zanelatto).

Durante o período fascista, quando houve um esforço consistente do governo italiano para colocar o Brasil na sua órbita de influência, a Itália não possuía recursos militares e econômicos suficientes para ações imperialistas tradicionais. Por isso buscou a mobilização e o controle das colônias de italianos espalhadas pelo mundo, na ligação de movimentos fascistas e governos estrangeiros pelo viés ideológico, a formatação de uma propaganda cultural marcada pelos pressupostos ideológicos e os esforços de subversão da ordem. A propaganda cultural e a mobilização dos imigrantes já ocorria antes do fascismo, e vários outros países também faziam isto para ampliar seu poder internacional naqueles anos e persistem até hoje (veja mais no artigo: A política cultural da Itália fascista noBrasil: O soft power de uma potência média em terras brasileiras (1922-1940), João Fábio Bertonha).


Livro de Clementina Bagagli, distribuído nas escolas em 1938 com abordagem de interesse do regime fascista.
Um dos elementos mais instigantes é como o fascismo foi introduzido em escolas brasileiras. Em 1934, as cidades gaúchas que tinham a organização de fasci all’estero eram sete: Uruguaiana, Pelotas, Rio Grande. Porto Alegre, Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias. Onde se pretendia “educar italiana e fascisticamente as crianças italianas nascidas no exterior”. Para tanto, em 1932 até os professores que atuavam no exterior foram obrigados a se filiarem ao Partido Nacional Fascista. (veja mais no artigo: Difundindo ideias fascistas através de manuais didáticos: Os 'Italianos no exterior' e suas escolas (1922-1938), de Terciane Ângela Luchese).

Como o Vale do Itajaí foi a principal região de estabelecimento de imigrantes da família Floriani, presume-se que e foram alvo destes movimentos políticos que atuavam no Vale e norte de Santa Catarina. Na década de 1920 o partido nazista realizava reuniões em Blumenau e seus partidários “constituíam um distinto grupo social urbano: mantinham ligações diretas com empresas e consulados alemães, dependendo deles para sua sustentação econômica dentro da colônia alemã” (veja mais no artigo: O Nazismo e o Integralismo em Santa Catarina, de João Henrique Zanelatto).

Isto persistiu até o governo brasileiro publicar os Decretos 7212, de 8 de abril e 7247, de 23 de abril de 1938, para tornar obrigatório o registro de todos os estabelecimentos particulares de ensino e a proibição de usarem mais de uma hora de atividade escolar no estudo e uso da língua estrangeira. que em 1938. Quando se inicia a Segunda Grande Guerra Mundial, o Brasil fica de fora do Eixo formado pela Itália e Alemanha, e se inicia uma nova fase de constrangimento da cultura alemã e italiana no Brasil.

Infelizmente, os ideais que levaram o mundo à guerra mais avassaladora que a humanidade já assistiu continuam vivos.

Como cita Arendt em seu prefácio: "Weder dem Vergangenen anheimfallen noch dem Zukünftigen. Es kommt darauf ein ganz gegenwàrtig zu sein" (Karl Jaspers).

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